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Conflitos no Condomínio: dicas de como lidar com o problema

Como em todo lar, no Condomínio também existem conflitos entre os moradores. Esse tipo de situação é extremamente normal, mas deve ser enfrentado pelo Síndico de frente, para que não se torne algo ainda maior.

Apesar de serem comuns, os conflitos precisam ser gerenciados com frequência. Caso você perceba que eles pararam de existir, é nessa hora que a sua atenção precisa estar ainda mais afiada. Algo pode estar errado. O fato de os conflitos não aparecerem, não significa que não existam. Eles podem estar latentes ou até reprimidos. E uma coisa é certa: se os conflitos não aparecerem, não poderão ser resolvidos.

Para ajudar, trouxemos algumas dicas especiais logo abaixo. Todo o conteúdo foi fornecido pela especialista em Mediação de Conflitos, Maria Regina Xausa. Você também pode conferir mais informações sobre a palestra que ela apresentou gratuitamente no Transforma Condomínio, da Auxiliadora Predial.

 

1 – Qual é a melhor maneira de gerenciar conflitos?

 

Vamos direto ao ponto, certo? A primeira coisa que precisamos avaliar, é a maneira mais correta de resolver um conflito. Há várias técnicas que podemos utilizar. Veja abaixo:

  • Ignorar a situação;
  • Abrandar o problema;
  • Negociar com os envolvidos;
  • Impor resoluções;
  • Mediar o conflito.

Esses são alguns dos exemplos mais utilizados. Porém, não há uma técnica que se sobressaia perfeitamente. Cada uma delas é adequada para um momento diferente. E, desta forma, deveremos analisar cada conflito, em cada contexto envolvido.

Para gerenciá-los, podemos nos basear nos seguintes critérios:

  • Natureza do conflito;
  • Impacto no resultado/objetivo ou clima;
  • Tempo de resolução;
  • Maturidade dos envolvidos.

Aplicando os critérios acima, podemos analisar os conflitos de várias maneiras. Assim, podemos verificar qual a melhor técnica a ser utilizada em determinada situação.

 

2 – Técnicas

 

Abaixo, listamos novamente as técnicas utilizadas para mediar um conflito dentro do Condomínio. Para entender qual delas você vai utilizar, basta responder a lista de critérios listada acima. Assim, você entenderá a maneira correta de lidar com a situação. Além disso, também informamos os riscos em adotar repetidamente  uma só tática de mediação, ou de nunca utilizá-la. Vem ver abaixo:

 

2.1) Ignorar/ Evitar

 

  • O que significa essa técnica: não se envolver no conflito, deixar o problema de lado;
  • Natureza do conflito: Tabu – implica valores (ex: “briga de marido e mulher”);
  • Impacto no ambiente: não impacta;
  • Tempo: Não exige;
  • Maturidade dos envolvidos: não exige;
  • Risco de uso recorrente da tática: Não resolver conflito/ ser omisso;
  • Risco de nunca utilizar a tática: desgaste pessoal por envolver valores sociais.

 

2.2) Abrandar

 

  • O que significa essa técnica: focar mais nos aspectos comuns entre os envolvidos, do que nos divergentes;
  • Natureza do conflito: Superficial/ mais aspectos comuns sobre divergentes;
  • Impacto no ambiente: já começa impactar;
  • Tempo: Exige pouco;
  • Maturidade dos envolvidos: não exige;
  • Risco de uso recorrente da tática: Não resolver/Ser “enrolador”;
  • Risco de nunca utilizar a tática: Desgaste utilizando técnicas mais fortes.

 

2.3) Integrar/ Consenso

 

  • O que significa essa técnica: Consenso: (2+2 = 5);
  • Natureza do conflito: Complementar- permite consenso;
  • Impacto no ambiente: Há impactor;
  • Tempo: Exige muito;
  • Maturidade dos envolvidos: Exige (Tolerância à frustração/ respeito
  • às divergências);
  • Risco de uso recorrente da tática: Desgaste das pessoas/Não resolve;
  • Risco de nunca utilizar a tática: Grupo não crescer – ser infantilizado.

 

 

 

 

2.4) Negociar

 

  • O que significa essa técnica: Troca – Ganhar algo em troca de conceder algo;
  • Natureza do conflito: conteúdo excludente – não permite consenso;
  • Impacto no ambiente: Há impactor;
  • Tempo: Exige muito;
  • Maturidade dos envolvidos: Exige (Tolerância à frustração/ respeito a divergências/Capacidade de abrir mão de algo);
  • Risco de uso recorrente da tática: Desgaste das pessoas/Não resolve;
  • Risco de nunca utilizar a tática: Grupo não crescer – ser infantilizado.

 

2.5) Impor

 

  • O que significa essa técnica: Decidir unilateralmente;
  • Natureza do conflito: não interfere;
  • Impacto no ambiente: Há grande impacto;
  • Tempo: Não há tempo para resolver;
  • Maturidade dos envolvidos: não há;
  • Risco de uso recorrente da tática: sufocar o grupo/ receber resistência explícita ou velada/ infantilizar o grupo/ deixar de resolver o problema através de formas mais maduras/ centralizar a ação em uma só pessoa: dependência;
  • Risco de nunca utilizar a tática: não resolver o problema e ter grande impacto no resultado/ expor as pessoas e desgastá-las.

 

2.6) Mediar

 

  • O que significa essa técnica: Facilitar a comunicação e resolução entre as partes;
  • Natureza do conflito: Excludente;
  • Impacto no ambiente: Há impacto;
  • Tempo: Exige muito;
  • Maturidade dos envolvidos: Não há, por isto exige uma terceira pessoa;
  • Risco de uso recorrente da tática: gerar dependência;
  • Risco de nunca utilizar a tática: expor as pessoas, exigindo que resolvam sem ter maturidade para tal.

 

  1. Análise das técnicas e suas variáveis

 

3.1 – Tempo

 

Como vimos, as técnicas podem ser analisadas de acordo com diferentes variáveis. Uma delas é o tempo disponível que você tem para resolver um problema. Aqui, quanto mais tempo você tem, mais profundas e amigáveis são as técnicas de mediação de conflitos. Com elas, você consegue buscar a integração, evitar maiores desgastes pessoais entre os envolvidos, ou até negociar uma forma branda de resolução.

Porém, quanto menor for o tempo disponível, mais unilateral se tornam as técnicas utilizáveis. Com elas, você impõe uma resolução sobre os envolvidos, tomando uma decisão por eles. Cada uma delas tem seu poder, mas é preciso equilíbrio para manter o ambiente no Condomínio funcionando por mais tempo.

 

3.2 – Níveis de intervenção

 

Assim como o tempo, o grau de intervenção do Síndico também é uma variável nessas situações. Dependendo da técnica da sua escolha, você vai precisar se envolver mais com as pessoas em conflito. Ao escolher se impor, por exemplo, você faz parte da situação e se envolve com ela. As técnicas mais brandas, como a negociação, reservam um espaço de espectador para você, garantindo menor intervenção.

 

3.3 – Níveis de Intervenção X Crescimento das Pessoas

 

É bom lembrar também, que a sua decisão sobre as técnicas de mediação também tem impacto no crescimento das pessoas envolvidas no conflito. Aqui, quanto mais você pegar as rédeas da situação, menor será o crescimento delas. Afinal, não houve esforço de decisão em nenhum dos lados.

Por isso, ao utilizar técnicas de negociação e integração, o crescimento das pessoas cresce e se solidifica, ajudando até em futuros conflitos que poderão acontecer.

 

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