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O que fazer quando o Condomínio está endividado

Todos(as) os(as) Síndicos(as) adorariam estar com as finanças em dia. Mas muitas vezes situações inesperadas podem causar impactos no fluxo de caixa. Quando a conta do Condomínio está no vermelho, que alternativas existem para reverter o problema?

Manter tudo em ordem é uma das funções dos gestores. Impactos financeiros na administração podem refletir até na imagem que os(as) Moradores(as) têm do(a) Síndico(a). Um desafio recorrente no dia a dia de quem administra Condomínios é manter as contas pagas.

É comum pensar que seja difícil um Condomínio se endividar. Pois se imagina que as cotas condominiais pagas pelos(as) Moradores(as) suportam todas as despesas do local. E quando há gastos extras, despesas extraordinárias, normalmente existe uma poupança planejada para cobrir tais fins. Mesmo que não haja possibilidade do Condomínio arcar com o valor, é feita uma divisão entre todos os(as) Moradores(as) no boleto.

Mas vários motivos podem causar o endividamento do Condomínio. Pode ser uma má gestão, onde o(a) Síndico(a) faz uma previsão financeira fraca e reajuste a taxa condominial com valores inferiores ao que é preciso. Esse fator, somado à uma administração desorganizada, que tem mais despesas do que receitas, é o cenário propício para a criar uma situação caótica.

Reajustes de salários e contratos com terceirizados acima da inflação também são outras situações que põem o orçamento em risco. Bem como um aumento na taxa de inadimplência dos(as) Moradores(as).

Quando chega neste ponto, o que o(a) Síndico(a) pode fazer?

Cortando gastos

 

 

A resposta pode parecer um pouco óbvia, mas a primeira atitude adotada deve ser o corte de gastos desnecessários. E nesse quesito, a comunicação e a conscientização dos(as) Moradores(as) são as melhores maneiras de reduzir as despesas no Condomínio. Dessa forma é possível explicar os motivos de economizar água, energia, entre outras contas, diminuindo a oneração da administração, bem como de cada Morador(a).

A transformação da luz solar em energia é uma opção a se pensar quando a proposta é reduzir custos. Alguns investimentos iniciais podem diminuir bastante a conta de energia do Condomínio. Até algum sistema para captação de chuva pode aliviar boa parte da conta de água do local.

Sempre lembradas, as lâmpadas LED são muito mais econômicas e podem ser trocadas imediatamente, sem necessidade de instalações extras. Auxiliadas por sensores de presença, que ligam e desligam automaticamente, garantem uma ótima eficiência energética. Uma tecnologia que não costuma ser cara e traz excelente custo-benefício.

A folha de pagamento dos funcionários representa cerca de 50% do orçamento do Condomínio. Aqui vale analisar a implementação de uma portaria virtual. Como o serviço é realizado de maneira remota, não há a necessidade de contar com um funcionário no local. Apesar de estarem a distância, os profissionais que trabalham neste tipo de portaria fazem tudo o que um porteiro presencial também faz, porém direto de uma central de atendimento.

Quanto aos débitos com fornecedores e outras contas, é possível fazer os cálculos do quanto é devido. Com os valores em mãos, a alternativa é tentar fazer acordos com as empresas credoras. A partir daí, conseguir um bom prazo para quitar, em várias parcelas, e que possam ser acrescentadas na taxa condominial sem gerar indignação entre os(as) Moradores(as). Porém medidas como essa devem ser comunicadas e definidas em Assembléia. Sempre apresentando o máximo de números, dados e justificativas e contando com a opinião de todos.

Síndico(a) e responsabilidade

 

 

Como representante do Condomínio, o(a) Síndico(a) é responsável por todos os pagamentos e receitas do local. Quando se trata de finanças, é função dele fazer as previsões orçamentárias, prestar contas e manter o caixa em ordem.

Portanto uma atitude que ele pode adotar quando percebe que as despesas aumentaram, é convocar uma assembleia para explicar a situação. Deixar claro aos(às) Moradores(as) os motivos da necessidade de aumentar a taxa condominial. É uma maneira de transparecer a situação a todos e também não ser responsabilizado pelo problema no futuro.

Apesar do(a) Síndico(a) ser o representante do Condomínio, todos os contratos realizados com fornecedores e prestadores de serviço, por exemplo, são feitos sob o nome do próprio Condomínio. Isto evita que a responsabilidade caia diretamente sobre o cargo.

No caso de obras, por exemplo, o beneficiário é o Condomínio, e não o(a) Síndico(a). Então se algum contratado vê a necessidade de entrar com alguma ação na justiça, ele cobrará o Condomínio, e não o gestor.

Em situações assim, e se a cobrança for algo que o Condomínio não consiga arcar, é possível que os(as) Moradores(as) sejam convocados para dividir o débito. Já se tal cobrança vem de alguma benfeitoria realizada sem o conhecimento de todos, os(as) Moradores(as) podem entrar na justiça contra o(a) Síndico(a), para que este responda pelas dívidas.

Portanto o(a) Síndico(a) só responderá judicialmente por dívidas quando tiver culpa sobre alguma ação que tenha prejudicado o Condomínio. Mas por ser considerado representante do Condomínio, só responderá judicialmente se os(as) Moradores(as) ajuizarem a ação de regresso.

A melhor maneira de evitar problemas com as dívidas do Condomínio é fazer com que os(as) Moradores(as) participem do dia a dia da administração, sejam frequentes nas assembleias, dêem suas sugestões e acompanhem de perto o trabalho do(a) Síndico(a).

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