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02/01/2019

Demissão de zelador e a reação da coletividade

Contratações e demissões sempre são complicadas quando envolvem um Condomínio. Nas linhas abaixo, a especialista em Gestão Condominial, Mara Lucia Lopes Fernandes, nos conta um episódio envolvendo a demissão de um zelador e faz um alerta para a forma de contratá-lo. Veja o que aconteceu.

Em um Condomínio, após ter sido eleita, a Síndica resolveu “arrumar a casa”, claro, se preparando com os devidos cuidados. Ela desenhou processos e procedimentos, definiu atribuições para a equipe de apoio à administração, para o zelador e para as empresas terceirizadas e, assim, pôs as mãos à obra literalmente.

Com equipes distintas, realizou várias reuniões até ter a certeza de que todos estavam cientes e entendendo sua nova forma de trabalho. Nessa nova forma de administração, a Síndica avaliou que o zelador residente, que estava no Condomínio desde a sua entrega, já se considerava e agia como um gestor e não desempenhava mais as atividades-fim de zeladoria.

Após mensurar o custo/benefício e ter alguns embates com o zelador, inclusive após avaliar que o mesmo se recusava a executar algumas atividades conforme era orientado, a Síndica entendeu que deveria demiti-lo.

O zelador, então, ao perceber o rumo que a situação estava tomando, aproveitou seu perfil de profissional sempre muito diligente e prestativo com todos os moradores e começou uma campanha contra a Síndica, desenhando um perfil totalmente falso dela como gestora.

Uma equipe de defesa

Como todos os Condôminos conheciam e confiavam no zelador, foi muito fácil criar uma história de perseguição e de assédio por parte da Síndica em relação a si próprio. Cenário montado, foi fácil deduzir que, ao ser demitido, bastou acionar o “time” que viria em sua defesa.

Foi justamente o que aconteceu. Houve até uma assembleia para a destituição da Síndica que, munida de documentos e das atas das reuniões com o zelador, conseguiu fazer a sua defesa e demonstrar que seu único objetivo foi preservar o Condomínio e tentar evitar problemas mais graves, tendo em vista o perfil do zelador. Ao final da assembleia, a Síndica foi mantida na função, apesar de vários moradores continuarem contrários à demissão do zelador.

Alguns dias depois, entretanto, outras atitudes do então demitido zelador fizeram os Condôminos mudarem de opinião. Ele tentou forjar um acidente de trabalho retroativo à data da demissão, recusou-se em desocupar o apartamento e acionou o Condomínio na justiça. Tudo isso fez com que os moradores ainda resistentes entendessem que a decisão da Síndica fora tão somente administrativa e previdente.

Atualmente, o processo ainda tramita na Justiça do Trabalho, mesmo o Condomínio tendo vencido a causa em primeira e segunda instâncias. Agora, o zelador e seu advogado tentam recurso junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Lições desse episódio

Nesse caso, alerta Mara Lopes, “observamos claramente alguns pontos relevantes, entre eles que zelador residente não é mais uma boa escolha para os Condomínios; que ao (à) Síndico (a) é necessário empatia, além de bom conhecimento de gestão de pessoas e uma gestão Condominial transparente e ética, para que a comunidade Condominial saiba avaliar quem a representa e o que, afinal, busca para o Condomínio”.

A especialista conclui, deixando a dica: “para enfrentar situações que geram comoção e impactam diretamente na vida dos Condôminos, é fundamental estar embasado para as tomadas de decisões.”

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