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12/12/2018

Economia compartilhada: mesmo sem saber, você já fez uso dela

Você pode até não ter familiaridade com o termo, mas certamente já usufruiu da economia compartilhada. Se já utilizou, por exemplo, o Uber, aplicativo que oferece serviços de transporte privado em várias cidades ao redor do mundo, você fez uso desse tipo de economia. O conceito tem se difundido nas mais diferentes áreas e, para explicá-lo, ouvimos o advogado e administrador público mineiro André Barrence, diretor do Google Campus São Paulo, espaço dedicado ao fomento do empreendedorismo na capital paulista.

“Descrevo a economia compartilhada como qualquer modelo de negócio no qual pessoas ou empresas cedam temporariamente a outros a capacidade ociosa de algum ativo de sua propriedade – podem ser veículos, casas e roupas, e até habilidades e tempo livre – com ou sem transações financeiras envolvidas”, detalha Barrence.

Como o próprio nome diz, a ideia básica da economia compartilhada é compartilhar, o que envolve inúmeras possibilidades e formatos, com imenso poder de revolucionar o mercado, mostrando novos caminhos de atuação.

Para André Barrence, “ela representa uma redefinição do papel de consumidores e fornecedores que pode estimular a economia em geral. Esse modelo de negócio possibilita criar oportunidades de novos negócios escaláveis, com enorme potencial de retorno”.

Limpeza doméstica, viagens e até casa compartilhadas

Nos últimos anos, o surgimento e crescimento meteórico de empresas que adotam o modelo de economia compartilhada em diferentes segmentos impressiona. A Airbnb tem dominado o mercado de hospedagem, oferecendo valores muitas vezes menores do que os tradicionais hotéis. Na área de limpeza doméstica, a alemã Helpling vem ganhando tração com financiamento da Rocket Internet. Já a brasileira Worldpackers se destaca ao conectar viajantes que desejam trocar suas habilidades por acomodação ao redor do mundo.

No campo da mobilidade urbana, o Uber não reina absoluto. Ele divide o mercado com outras companhias semelhantes, como a 99 e o Cabify. Além deles, o consolidado navegador Waze já iniciou testes para uma nova funcionalidade de caronas pagas e pode se tornar um forte concorrente no ramo.

Na visão de Barrence, a entrada de empresas que seguem a concepção da economia compartilhada no mercado é positiva para a quebra de paradigmas. “A inovação trazida por esses modelos de negócios coloca em xeque o status quo de seus mercados e desafia o poder público em questões delicadas como livre concorrência, tributação e relações trabalhistas”, avalia.

Insegurança pelo novo

Como toda novidade, a ascensão rápida e bem sucedida de empresas com formatos diferentes do habitual, como é o caso da economia compartilhada, gera medo e insegurança nos concorrentes. Foi assim com o Uber, que despertou a ira de taxistas e de outros grupos organizados que atuam no setor de transporte, ao mesmo tempo em que conquistava cada vez mais usuários, fãs e motoristas dispostos a experimentar um novo modelo de negócio.

“Questões como a do Uber e a da economia compartilhada em geral são complexas, sem fronteiras, envolvem interesses diversos e não serão solucionadas pela pressão de grupos ou pela caneta da autoridade pública”, destaca Barrence, que considera a discussão ampla sobre o assunto como a solução para eliminar as dúvidas.

“Por vezes, inovações nascem em espaços inexplorados e nebulosos nos instrumentos legais vigentes e dos marcos regulatórios, servindo para provocar uma discussão que considere o interesse social e o novo espírito dos tempos”, finaliza.

Entenda o conceito de economia compartilhada

– Alguns exemplos: Uber, Airbnb, Helpling, Worldpackers.

– É um modelo de negócio que prioriza o compartilhamento, seja de veículos, casas e roupas, seja até de habilidades e tempo livre.

– Estimula a economia em geral e cria oportunidades de novos negócios com enorme potencial de retorno.

– Quebra paradigmas e promove discussão sobre questões delicadas como livre concorrência, tributação e relações trabalhistas.

– Representa uma redefinição do papel de consumidores e fornecedores.

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